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9 crenças que sabotam a vida de quem é multipotencial

E como trocá-las por versões mais saudáveis e empoderadoras.

Nessa edição: 9 crenças multipotenciais + 9 mantras positivos + Seja Um Canivete Suíço + agenda de palestras.

Nessa edição (clique pra ir direto):

Suas crenças se tornam seus pensamentos,
seus pensamentos se tornam suas palavras,
suas palavras se tornam suas ações,
suas ações se tornam seus hábitos,
seus hábitos se tornam seus valores,
seus valores se tornam seu destino.

Mahatma Gandhi

Você já parou pra pensar no que pensa e acredita sobre si mesma, como multipotencial?

Pois é. Se a primeira resposta que veio foi algo tipo “vish, sou instável demais” ou “quem faz muita coisa não faz nada bem”, respira fundo. Não é só você! O rádio interno de muita multipotencial é assim mesmo, barulhento e repetitivo. Isso porque escutamos ~ por uma vida inteira, que esse jeito de ser, viver e trabalhar está errado. E herdamos um bocado de crenças que caminham exatamente nessa direção: enxergando a multipotencialidade como defeito e não superpoder.

A verdade é que esse é o primeiro passo se quisermos assumir e abraçar nossa multipotencialidade: olhar com carinho pro que pensamos sobre ela.

Por que isso é importante? Porque nossas crenças funcionam como óculos invisíveis: elas moldam como a gente enxerga o mundo e, principalmente, como a gente enxerga a nós mesmas. E como nos movimentamos diante da vida. Se acredito que minha pluralidade é um defeito… adivinha só? Vou agir e tomar decisões como se fosse mesmo. Agora, se passo a ver a mesma pluralidade como curiosidade ou criatividade latentes, tudo muda, até mesmo o meu comportamento.

Crenças são poderosas. É não é papo de autoajuda barata não, tá? Esse entendimento está calcado nos principais estudos de neurociência, psicologia positiva, terapia cognitivo comportamental, experiência somática, entre outras. Se quisermos mudar quem somos, precisamos instalar novas lentes!

E essa é a boa notícia: nosso cérebro tem o poder de mudar a todo momento. Deram até um nomezinho pra isso: neuroplasticidade!

Pensa num campo de grama alta. Cada vez que você passa pelo mesmo caminho, a grama vai se amassando, até virar uma trilha. Esse é o cérebro: quanto mais você repete um pensamento, mais forte fica aquele “caminho”. A neuroplasticidade é a capacidade de abrir novos caminhos no mato - e até deixar os antigos crescerem de novo, se você parar de usá-los.

Não significa que pensar diferente vai ser fácil e rápido (como muitos gurus aí fora tentam nos convencer), mas significa que essa mudança é possível e está diante de nós. Precisamos começar…

Então, hoje, eu pensei em explorar com você as principais crenças que rondam a mente de muita multipotencial e te oferecer outras, na forma de mantras potentes que você pode repetir pra si mesma daqui pra frente, na busca por ressignificar a multipotencialidade na sua vida. Vale, inclusive, criar os seus próprios (mais customizados pra sua realidade). E vale também imprimir, deixar à vista, colocar no papel de parede do seu computador ou celular… vamos a elas:

  1. “Eu preciso escolher uma coisa só pra ter uma carreira potente”:

    Essa é uma crença-raiz da culpa multipotencial. A ideia de que foco significa, obrigatoriamente, exclusão. Acontece que, para multipotenciais, foco pode significar integração e, até mesmo, dar contornos e forma ao que se faz. Olhe ao seu redor: há milhões de pessoas que escolheram caminhos múltiplos para construir carreiras, sem renunciar a partes mais importantes de si mesmas, e ainda, sim, construíram carreiras potentes.

    Troque por:

    “Minha potência está em conectar, não em reduzir. Quanto mais caminhos exploro, mais única se torna a minha carreira.”

  2. “Se eu não me especializar, nunca vou ser reconhecida ou bem paga.”
    O mito da autoridade por nicho ignora, completamente, o valor de quem conecta pontos e pensa fora da caixa. Ou seja, pessoas criativas e inovadoras, por natureza. Com um mundo em constante transformação como o nosso, cada vez mais, teremos espaço para pessoas que se adaptam e navegam subjetividades e ambiguidades. Currículos não-lineares podem ser vistos como trunfos, se comunicados com intenção.

    Troque por:

     “Ser bem paga é sobre o valor que gero, não sobre caber em um rótulo.”  ✨

  3. “Sou inconsistente e instável porque mudo de ideia e não termino nada que começo.”
    A gente confunde curiosidade natural com falta de compromisso, né? Mas ó: nem tudo que muda é por abandono. E, nem tudo que se cria, precisa de compromisso pro resto da vida. Distinguir esses dois é nosso trabalho, não do mundo. Não há dúvidas: a multipotencial vai precisar exercitar seu pragmatismo e sua capacidade de ser consistente e se comprometer no longo prazo, mas ter novas ideias pode, sim, ser algo muito positivo!

    Troque por:

     “Minha constância é o movimento, não a repetição.”

  4. “Quem faz muita coisa, não faz nada bem.”

    Essa é clássica e um jeito simples de desmistificá-la é olhando-o nosso redor: conhece, pelo menos, 5 mulheres que fazem várias coisas a que se propõe bem? Pois, é. Eu conheço. E só isso já demostra que tem mais a ver com o como a pessoa faz, do que com o que ela faz de fato.

    Troque por:

    “Quem faz muita coisa amplia repertório, mistura saberes e cria coisas que ninguém mais faria.” ✨

  5. “Fazer muitas coisas me impede de me destacar em alguma.”
    O destaque pode vir justamente do conjunto único de habilidades, do mix raro que só você oferece. Crença que vem da cultura da produtividade linear e industrial, não da economia criativa contemporânea. Você pode se destacar por um porquê forte, uma marca pessoal bem desenhada e, até mesmo, por diferenciação, já que vai ser bem difícil encontrar alguém com a mesma mistura que você.

    Troque por:
    “Meu destaque vem da mistura, não da exclusão.” ✨

  6. “Ser multipotencial é um defeito que preciso consertar.”
    Uma das mais cruéis, porque fala da necessidade de mudar nossa identidade mais profunda, quem somos lá dentro. Como se tivéssemos saído com defeito “de fábrica”. Sua multipotencialidade não é um problema: é parte essencial da sua alma e da sua contribuição única ao mundo.

    Troque por:

    “Ser multipotencial é um superpoder que eu preciso continuar desenvolvendo.” ✨

  7. “Se eu não escolhi uma coisa só, é porque eu ainda não encontrei meu chamado ou propósito.”
    Essa é traiçoeira, porque coloca a multipotencialidade como um limbo, um eterno “ainda não cheguei lá”. Como se só existisse um destino possível, uma missão única escrita nas estrelas. A verdade é que seu chamado não é uma única coisa, é o fio que conecta tudo o que você faz, a soma viva de todas as suas paixões. Seu propósito não está escondido numa caixinha esperando ser encontrado: ele se revela justamente na diversidade dos caminhos que você escolhe trilhar. Seu propósito é, simplesmente, ser você mesma.

    Troque por:

    ✨ “Não preciso escolher uma coisa só para ter propósito; meu propósito é ser eu mesma.”

  8. “Sou uma fraude porque não me aprofundo em nada.”
    Essa é a síndrome do impostor vestida com a roupa de generalista. Só que ser generalista não é falta, é visão. O especialista enxerga em detalhe, o generalista conecta os pontos. E no mundo de hoje, onde tudo está interligado, essa habilidade de ver padrões e criar pontes é não só rara, mas essencial.

    Troque por:

    “Meu olhar não é raso, é amplo: vejo conexões que o foco único não enxerga.”

  9. A sua! Qual é a crença negativa sobre multipotencialidade que mais te incomoda por aí? Bora ressignificar?

E se quiser ajuda para mergulhar fundo nessas crenças e escolher um modelo de vida e trabalho onde ~ quase todas ~ as suas versões tenham espaço, vem cá!

Faz sentido pra você? Me conta nos comentários!

Um beijo,
Rafaela Cappai

Psiu: minha agenda de palestras para o próximo mês, ó! Quem sabe não nos conhecemos pessoalmente?

Dia 1 de Outubro palestro no Acelera Summit, no Rio, falando exatamente de multipotencialidade. Vamos?

Dia 4 de Outubro também falo de multipotencialidade, mas dessa vez, no Festival Rede Mulher Empreendedora. Simbora? 

 

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